Combinamos a estrutura nacional do IPCA/IBGE com a nova POF Realflação 2026, reorganizando os grupos de consumo em 10 categorias que refletem o orçamento atual das famílias brasileiras.
O projeto compara dois índices com objetivos distintos.
IBGE . IPCA
Índice IBGE
Estrutura oficial do IPCA/IBGE reportada mensalmente com 9 grupos e pesos da POF 2017-2018. Referência nacional consagrada.
🎯 Dados divulgados todos os meses pelo governo
Realflação · Nova POF 2026
Índice Realflação
Estrutura modernizada com 10 grupos baseados na nova POF Realflação 2026. Inclui grupos como Comunicação, Lazer e cultura, e Casa e bens domésticos separados — categorias que ganharam peso relevante no orçamento familiar.
🎯 Capturar o consumo real das famílias brasileiras em 2026
Esta página documenta a metodologia do Índice Realflação IPCA, baseada na nova POF de 10 grupos. A estrutura de 9 grupos do IBGE (POF 2017-2018) serve como ponto de partida e comparação.
01Distribuição da nova POF Realflação 2026
Como os 10 grupos se distribuem no orçamento familiar — e como isso se compara com a POF do IBGE de 2017-2018.
Distribuição por grupo — POF Realflação 2026
10 grupos · participação percentual no orçamento familiar
POF IBGE 2017-2018 (9 grupos)
Alimentação e bebidas23,2%
Habitação14,6%
Transportes20,5%
Saúde e cuidados12,6%
Despesas pessoais11,1%
Educação5,4%
Vestuário6,6%
Artigos de residência4,5%
Comunicação1,5%
Nova POF Realflação 2026 (10 grupos)
🍽️ Alimentação e bebidas32,75%
🏠 Habitação19,15%
🚗 Transportes13,95%
🎭 Despesas pessoais6,91%
💊 Saúde6,24%
🛋️ Casa e bens domésticos4,90%
🎬 Lazer e cultura4,73%
👗 Vestuário4,28%
📡 Comunicação4,22%
📚 Educação2,87%
Por que Alimentação subiu de 23,2% para 32,75%? A inflação de alimentos de 46,5% entre 2020-2022 alterou estruturalmente o orçamento familiar — mais renda passou a ser destinada à compra de alimentos, especialmente nos domicílios de menor renda. A nova POF captura essa realidade. Comunicação quase triplicou (1,5% → 4,22%) refletindo a universalização da internet e dos planos celulares.
02O problema que queremos resolver
O governo usa pesos calculados com dados de 2017-2018. A realidade de 2026 é outra.
O IBGE publica o IPCA mensalmente — isso está certo. Mas os pesos — o quanto cada produto importa no orçamento de uma família — são revisados raramente. A última atualização foi feita com dados da POF 2017-2018, publicada e implementada em 2020.
De lá para cá: pandemia, inflação de alimentos de 46,5% (2020-2022), valorização imobiliária, crescimento dos aplicativos de transporte, streaming, delivery, planos celulares. O orçamento das famílias mudou estruturalmente. Os pesos do IBGE ainda não refletem isso.
Base de referência
IPCA / IBGE
Pesos nacionais, ampla cobertura geográfica, metodologia consolidada · 9 grupos
POF 2017-2018
Sinal de atualização
POF FIPE
Pesquisa mais recente do Brasil, reflete hábitos pós-pandemia, serve como âncora de modernização
POF FIPE 2023-2026
Resultado
Nova POF Realflação
10 grupos modernizados, pesos recalibrados para o Brasil urbano em 2026
Mai/2026 · v2.0
03O processo em três etapas
A metodologia é determinística e pública. Cada etapa tem uma lógica clara.
1
Estrutura base: IPCA/IBGE nacional (9 grupos, POF 2017-2018)
Partimos dos pesos oficiais do IPCA (POF 2017-2018, SIDRA/IBGE) como estrutura base. Eles representam o orçamento médio das famílias brasileiras com ampla cobertura regional — são o ponto de partida mais sólido disponível. Os 9 grupos e seus subitens formam o esqueleto.
2
Reorganização em 10 grupos com sinais da POF FIPE
Comparamos a estrutura do IBGE com a POF FIPE (a mais recente do Brasil) e identificamos as mudanças estruturais. Com base nisso, reorganizamos os grupos: Comunicação saiu de subitem de Habitação e virou grupo próprio; Lazer e cultura foi separado de Despesas pessoais; Casa e bens domésticos foi destacado de Artigos de residência. Cada novo peso reflete a participação real no orçamento das famílias em 2026.
3
Suavização nacional com coeficiente α (propagação urbana)
Aplicamos um coeficiente de propagação urbana (α) a cada grupo. Ele controla quanto da mudança observada nos grandes centros (principalmente SP via FIPE) é transmitida para o Brasil. Categorias com determinação de preço nacional (alimentos, combustíveis, medicamentos, serviços digitais) recebem α alto. Habitação recebe α menor — o mercado imobiliário paulistano é muito específico para ser aplicado diretamente ao Brasil.
04O coeficiente de propagação urbana
São Paulo não é o Brasil. O coeficiente α controla o quanto cada mudança observada nos grandes centros se transmite ao restante do país.
Propagação alta (α ≥ 0,8)
Grupos cujos preços têm determinação predominantemente nacional ou global: alimentação no domicílio, medicamentos, combustíveis, streaming e planos digitais, artigos de limpeza. A mudança de consumo em SP reflete tendências nacionais.
Propagação moderada (α 0,4–0,8)
Grupos com mix nacional e local: transportes, saúde, educação, comunicação, lazer. Gasolina tem preço nacional; planos de saúde e transporte coletivo variam por região.
Propagação baixa (α < 0,4)
Grupos com forte especificidade local: habitação (aluguel, condomínio). SP tem mercado imobiliário muito particular — aplicar seus pesos diretamente ao Brasil geraria distorção significativa.
05Tratamento especial: Habitação
O grupo Habitação recebeu tratamento diferenciado por sua forte especificidade regional.
A valorização imobiliária dos grandes centros nos últimos anos foi substancialmente superior à média nacional. Por isso, o Realflação usa um fator estrutural de urbanização adicional para este grupo.
O ajuste considera a relação entre a inflação imobiliária em SP vs. a média nacional (IGMI-R/FGV), ponderada pela taxa de urbanização de cada macrorregião. O resultado é um peso de 19,15% para Habitação na nova POF — bem mais do que o IPCA atual (14,6%), mas abaixo do peso bruto da FIPE para SP.
IPCA/IBGE (2017-2018)
14,6%
Desatualizado — não reflete a pressão imobiliária recente
Realflação · Nova POF 2026
19,15%
Ajustado com fator de urbanização nacional. Inclui aluguel, energia, água, gás, reparos e serviços domésticos
POF FIPE SP
28,58%
Específico de SP — superestimaria o Brasil se aplicado diretamente
06Estrutura completa de pesos
Tabela completa com todos os 10 grupos e subcategorias da nova POF Realflação 2026.
Grupo / Subgrupo
Peso (%)
Barra
07Próximos passos metodológicos
As próximas evoluções do Realflação vão aumentar a frequência, granularidade e cobertura geográfica do índice.
→ Em desenvolvimento
📅 Coleta diária de produtos
Automação de coleta de preços com frequência diária para os itens mais sensíveis — alimentos frescos (cenoura, tomate, cebola), combustíveis (ANP) e tarifas públicas. Redução da defasagem de coleta de semanal para menos de 24 horas.
Em breve
→ Em desenvolvimento
🗺️ Coleta por região do Brasil
Índices regionais com pesos calibrados para a estrutura de consumo local de cada macrorregião. SP, RJ, BH, Curitiba, Recife, Fortaleza, Manaus e mais. Cada cidade terá sua própria POF regional ajustada.
Em breve
→ Planejado
🔍 Detalhamento das categorias
Abertura completa das subcategorias dos 10 grupos com pesos e variações individuais — por exemplo, dentro de Alimentação: arroz/feijão, carnes, laticínios, in natura, industrializados e delivery com variações separadas e rastreáveis.
Próxima fase
08Documentos para download
Acesse os documentos completos da metodologia e a tabela de pesos do Realflação 2026.
O Realflação não tem vínculo institucional com nenhum órgão governamental.
O Realflação não é afiliado ao IBGE, à FIPE, à FGV, ao Banco Central ou a qualquer entidade governamental. É um projeto independente de pesquisa e monitoramento de preços, com metodologia pública e auditável.